O que penso, S.M.J.
    A arrogância é própria dos desprovidos de inteligência e sabedoria. É sempre aliada do poder. O arrogante não conhece a natureza humana. Ele pensa ser o dono da verdade, o único honesto, o competente. Constitui o apanágio de cidadãos, individualmente, ou de organizações sociais: religiosas, políticas, esportivas etc. Tem como origem a ingenuidade, a ignorância ou a má fé.
    Estas considerações fazem parte das reflexões que tenho feito, nestes dias tão tormentosos e de desalento para a maioria do nosso povo. Lembro-me da incrível arrogância dos membros do Partido dos Trabalhadores – PT – na sua imensa maioria. Ninguém podia faze nada de bom, de inovador, de austero, porque isso era prerrogativa e exclusividade do PT. “Nossos coleguinhas” se elevaram aos céus para falar no jeito PT de governar. Qualquer um ficava tímido, se não fosse muito consciente do que queria, diante da arrogante agressividade dos únicos salvadores da pátria. Que paradoxo!... O governo Lula só tem tido sucesso na área que contraria o jeito PT de governar. Agora, caem nesta desgraça. Na verdade, o PT virou “Geni” Está como um andarilho sem destino e sem futuro, caminhando perdido pelo acostamento da história. Quem vai confiar nas suas promessas depois dos desmandos e ilícitos praticados por sua direção nacional? Passou dos limites.
    Tudo isso quer dizer que o momento é pior do que o de seus antecessores no poder? Não. O período FHC, a campanha da reeleição, foi daí para pior. E tudo foi muito bem encoberto.
    Todavia, o que há de pior agora é o desencanto popular, as esperanças frustradas, logo após tanto encantamento a que foi levado o povo brasileiro pela proposta alternativa e, aparentemente, antagônica, apresentada pelo PT à Nação, de maneira tão persistente. Criou-se, com extrema competência de marketing, a idéia de que viveríamos uma fase diferente da nossa história. Pela primeira vez, as classes populares teriam chegado ao poder. Nunca acreditei nisso, mas, reconheço que o engodo dominou a maioria.
    Muita gente boa nas áreas cultural, religiosa, no meio acadêmico, entre os trabalhadores e servidores públicos, por enorme ingenuidade, serviu de escada para um imenso grupo de oportunistas e de aproveitadores, que se utilizam o poder sem qualquer escrúpulo.
    Isto foi um desastre para a evolução de nosso processo histórico no destino de uma democracia forte e segura. Refazer a confiança com credibilidade não vai ser tarefa fácil. Tudo isso representa lamentável retrocesso. Fabricou-se um imaginário coletivo positivo e cheio de esperanças que, agora, se transforma em negativo e completo de decepções.
    E, o que é pior, nestes últimos dias, no início deste mês de julho, surgem vários e fortes indícios de um “acordão” entre as grandes “elites” da burguesia nacional, uma pela esquerda do PT, no atual governo, e outra pela direita do governo anterior, dos tucanos, com o objetivo de acobertar tudo e manipular as apurações, jogando as sujeiras para “debaixo do tapete”. Este arranjo vai frustrar a única conseqüência positiva que poderá sobrar desse mar de lama, a verdadeira catarse social e depuração dos costumes, pelo escândalo acontecido. A Nação precisa ficar atenta, os mesmos de sempre, de um lado e de outro, articulam contra os interesses da República. As investigações precisam chegar ao fim e colocar à luz do dia todas as obscuras ações de quem as tenham praticado. Pode ser muito ruim para pessoas, mas será muito bom para as instituições.
    Nestes casos, a melhor apuração não é a política, através de CPI’s, que devem existir e apresentar resultados. A investigação mais completa e imparcial deve ser promovida pelos órgãos institucionais próprios e especializados: a Polícia, o Ministério Público, os Tribunais de Contas, as Procuradorias, as Controladoras. Aqui, a imparcialidade é maior e os processos seguem ritos mais compatíveis com o bom resultado. É preciso identificar os culpados e puni-los, doa em quem doer, estejam onde estiverem. Só assim haverá a necessária purgação das culpas e a possibilidade de reconstrução moral.