Palavras Precisas
    O enorme estardalhaço promovido pelos burgueses neoliberais sobre as declarações do Presidente Lula a propósito do entreguismo nas privatizações promovidas no governo FHC e contrárias aos interesses nacionais, vêm demonstrar como os tucanos são insidiosos e organizados para aproveitar qualquer oportunidade que lhes garanta proveito político.
    Estão alvoroçados, aproveitando o fato político da derrota do Governo na eleição da Presidência da Câmara Federal, e buscam aproveitar-se da fragilidade do PT, sem o equilíbrio necessário para constatar que neste episódio quem mais perde é a nação brasileira.
    Nesta hora, passam a ser “figurinhas” presentes na mídia, desde o falastrão inconseqüente Senador Arthur Virgilio, até o boquirroto e oportunista ex-comunista, hoje neoliberal de segunda hora, Alberto Goldman. Falam nada que presta, mas como falam bonito!... Expressam as maiores asneiras, mas o fazem com absoluta “autoridade”.
    Na verdade, a declaração do Presidente da República mostra que o presidente-operário pode ter menos precisão nas palavras, ao contrário do ex-presidente pseudo-intelectual que, embora preciso no falar, não foi tão cuidadoso com a coisa pública.
    O que está em jogo nas declarações do Presidente não é a corrupção e, sim, as privatizações predatórias realizadas com recursos do BNDES no governo anterior.
    O problema não é judicial, muito menos de responsabilidade legal, é, exclusivamente, político – pelo menos até agora. O que o Presidente pode ter recomendado ao ilustre, preparado e digno presidente do BNDES Carlos Lessa é que não questionasse naquele momento – início de governo -, quando esta polêmica não contribuiria com o País. O que, na verdade, publicamente ou não, o fazem, hoje e sempre, a denúncia das predatórias privatizações feitas com financiamento do BNDES, grande “escândalo” nacional. Isto é posição política que não pode incriminar quem quer que seja.
    O que o presidente Lula não queria, ao iniciar o Governo, desejando e precisando tirar rápido o País da hecatombe do governo FHC, era fazer o que fazem, agora, os autores do desastre administrativo deixado como herança maldita.
    São bons nas palavras, expressam-se admiravelmente. Só não fazem nada que presta. Falam bem, mas fazem mal. O sociólogo FHC foi um desastre administrativo.
    O Lula fala sem impostação de voz, sem cálculo premeditado. Expressa como qualquer brasileiro simples e bem intencionado. Os indicadores econômicos e sociais destes dois anos de seu governo estão inquietando os neoliberais e entreguistas. A alta burguesia não se conforma com a chegada ao poder maior de alguém saído das forças populares.
    Estamos confiantes, contudo, na estabilidade democrática e no amadurecimento de nossas instituições. Podem espernear, mas vão ter que engolir. Afinal, o “jus sperneandi” é livre na democracia.