POSTURA REPUBLICANA
    Pra começo de conversa, e com o propósito de demonstrar a isenção e a imparcialidade com que desejo fazer as considerações que se seguem, tenho sérias restrições à linha da política econômica adotada pelo atual governo. Para não me alongar neste ponto, por não ser o fulcro do que quero manifestar nesta oportunidade, tenho graves ressalvas à rigidez da ortodoxia neoliberal, entendo que estamos muito disciplinados no atendimento das exigências globais, e não temos colocado na mesa de negociações com os organismos e países comandantes da economia globalizada, com maior firmeza, as condições que melhor interessem ao Brasil.
    Pois bem, dito isto, quero manifestar minha satisfação republicana pela postura e compostura do Ministro Antonio Palocci na coletiva concedida à imprensa nesta tarde de domingo, 21 de agosto de 2005. Senti-me orgulhoso com a lúcida, convincente e sóbria performance do Ministro da Fazenda do meu país. Ele foi tão melhor que todos os protagonistas dos tristes episódios deste período de nossa história. Frontalmente contrário ao indevido, parcial e irregular comportamento do Sr. Promotor de Justiça de São Paulo, que interrompeu, grosseiramente, uma inquirição de acusado preso e algemado, para aparecer à frente de Câmeras de TV e de jornalistas e apresentar, incorretamente e, com manifesta sofreguidão, sua fanática versão de fatos a serem apurados.
    O Sr. Ministro Palocci foi sóbrio e contundente. Conservou-se sempre tranqüilo e equilibrado, mesmo diante de perguntas pouco qualificadas e suspeitas. Poderia começar por desqualificar seus detratores, tinha razões de sobra para fazê-lo. Preferiu, de maneira elegante e convincente, esclarecer ponto por ponto, sem deixar a mais longínqua sombra de dúvida.
    Das inúmeras perguntas impróprias, a certa altura, certo jornalista, não me lembro bem de que sexo, querendo, como acontece sempre, encontrar “chifre na cabeça de cavalo”, indagou do porquê que o Ministro não apresentava provas de que ele não tinha nada com as acusações. O Senhor Ministro, - este merece ser assim tratado,- respondeu, com absoluta serenidade, que não podia apresentar provas daquilo que nunca existiu. Quem diz que existiu é que tem que provar.
    O Promotor que interrompeu a inquirição para dar entrevista, grosseiro e sem compostura republicana, fazia referência ao Senhor Presidente da República e ao Senhor Ministro, da mesma forma como se referia ao acusado preso, “o Lula”, “o Palocci”, “o Rogério”. Trata-se, sem dúvida, de um fanático político, de quem intencionalmente omito o nome por entender que ele não merece estar neste espaço.
    Este espaço é para, modestamente, render homenagem a um homem que dignifica a vida pública em momento de tanta escassez de líderes dessa têmpera.
    Confesso que me senti envaidecido e orgulhoso do Ministro que temos. O Ministro Antonio Palocci, certamente não é insubstituível, mas, neste momento faria muita falta ao Brasil, mesmo com os equívocos que sua política econômica possa estar contemplando. Independente de qualquer discordância na linha de ação, a postura e a compostura do Senhor Ministro fazem subir a categoria do Brasil interna e externamente. Obviamente, que não há, nem de longe, qualquer motivo de afastamento do Ministro de seu importante cargo. Absurdo seria admitir-se a possibilidade de afastamento de seu cargo, de qualquer autoridade com tamanha responsabilidade, por simples denúncia desprovida do mínimo de credibilidade. Nunca teríamos governo com alguma estabilidade. Haveria sempre alguém da oposição para denunciar alguma coisa.
    Um homem da estatura de Antonio Palocci não pode ficar submisso à sanha de qualquer investigado que negocia com Promotores, estes sim de posição duvidosa, a chamada delação premiada.
    Fiquei honrado e satisfeito com a postura e a compostura do Ministro da Fazenda do meu País. Senti o orgulho republicano.