MUITO GRAVE

 

            Estamos vivendo um momento muito grave e que revela, com maior profundidade, as enormes ambigüidades experimentadas e vividas pelo PT.

            Quando as apurações realizadas no correr deste ano, encontraram sérios deslizes praticados por considerável parcela de membros deste partido, inclusive, por vários de seus dirigentes nacionais, esperava-se que houvesse a separação transparente do “joio do trigo” dentro dessa agremiação. Eliminados os envolvidos no processo de “privatização” do estado e de utilização indiscriminada e corporativa dos recursos públicos no controle manipulado do Poder estatal, o Partido reencontraria seu caminho legítimo.

            Acontece que muitos líderes importantes de PT mantêm relacionamento

permanente e público com os “pegos” nas ações clandestinas e corruptas, e punidos por seus atos.

           

             Só como exemplo, não pode passar a ninguém como crível que o Prefeito de Belo Horizonte, Sr. Fernando Pimentel, liderança respeitável, estivesse conversando com o Sr. José Dirceu, chefe da quadrilha, só sobre futebol, teatro, ou cinema, no jantar em restaurante muito freqüentado por políticos, em Brasília, e merecesse destaque na mídia nacional. Claro que o “prato principal” era política.

            Por outro lado, o candidato do PT ao governo de São Paulo, o Senador Mercadante, contra o qual não há carga pesada, certamente não tratava de coisas frívolas com o outro envolvido em ações camufladas, Sr. José Genuíno, em restaurante muito freqüentado de São Paulo. Não é, também, aceitável que o grupo do publicitário  Sr.Duda Mendonça, mercador de irregularidades, continue prestando serviços na campanha da reeleição do Presidente Lula. Além disso, as penas de privação de liberdade que os culpados, por ventura, venham sofrer, só podem ser aplicadas pelo Judiciário, que, segundo o relator no processo de um dos mais envolvidos, a decisão naquele Poder, demorará 15 anos.  

            A desenvoltura com que esses nomes, comprovadamente, envolvidos nos  recentes  crimes contra o erário, transitam entre políticos que parecem sérios e austeros, na verdade – e aqui está o que é MUITO GRAVE -, banalizam o crime, popularizam e vulgarizam o que deve ser anômalo, estranho, ridículo.

            A utilização de meios clandestinos e camuflados para a manipulação de recursos públicos em proveito de pessoas e partidos políticos, com o fim de controle e domínio da máquina estatal, banaliza-se de tal forma, que parece ser normal essa espúria forma de agir.

            Já não demora que careta, bobo, incapaz, fora de moda, seja aquele que sustenta a austeridade e o rigor no trato com a coisa pública. “O sertão vai virar mar e o mar virar sertão”, conforme canta o cancioneiro popular, e o peixe fora d’água serão os defensores da moralidade. Como diria Rui Barbosa, “sentiremos vergonha de ser honestos”.

È muito grave o momento político e social em nosso país. Os usos e costumes que prevalecem, nesta quadra, conduzem a uma degenerescência na sociedade, que tende ficar leniente, complacente, com o comportamento das pessoas.

            Os rigorosos nos princípios éticos passam como verdugos e intransigentes, exceções desprezíveis de uma realidade imutável.

            Há necessidade de uma nova revolução iluminista.

 

(Autorizo a transcrição desta matéria em qualquer meio de comunicação).