AGENTES TRANSFORMADORES
    A sociedade avança ou não, alcançando mudanças necessárias, na medida em que ocorra a ação dos seus agentes transformadores.
    Os agentes transformadores podem ser pessoas, individualmente, ou instituições, coletivamente. Podem ser público ou privado. Para se encontrar bons agentes transformadores, aqueles que promovem as mudanças sociais sempre desejadas, há que se iniciar pela formação de quadros capazes.
    Todo progresso tecnológico com as maravilhas contemporâneas da telemática é produto e criação da mais maravilhosa de todas as máquinas, a cabeça do se humano. A inteligência humana produz e opera estruturas magníficas.
    Contudo, o ser humano não é igual. Nem todos têm a mesma aptidão; as vocações são diferentes; a capacidade e eficiência são peculiaridade de alguns e são muito diversas dentro da sociedade. Há diferença de toda espécie para as mais diversas tarefas.
    Os craques de futebol não servem para o vôlei. Estes e aqueles não conseguem praticar atletismo ou ginástica. O exímio em natação não joga tênis. O craque no laboratório, o cientista, o filósofo, o pesquisador, nem sempre têm vocação para operar um trator, muito menos para cultivar o milho, o feijão, o arroz e assim por diante no infinito campo das atividades humanas.
    O segredo do sucesso nas transformações sociais indispensáveis para a inovação que leva à eficiência está na formação de quadros competentes, e isto se alcança com a descoberta de vocações. Cada um fazer aquilo que lhe dá gosto e para o que tenha aptidão.
    Acertar vocação é a “grande sacada!” É triste ver pessoas fazendo coisas para as quais não têm a menor aptidão. Fazem mal a vida inteira uma coisa que não gostam de fazer. Constroem sua infelicidade e a infelicidade dos outros.
    Por isso, e por muito mais, é fundamental o investimento nas pessoas, o que comumente se chama de recursos humanos.
    Não existe em nenhuma empresa, em nenhuma organização social, em nenhum partido, em nenhum órgão público, em nenhuma instituição com que finalidade exista, qualquer investimento que seja mais lucrativo, tanto no sentido material como espiritual, do que o que se faz na cabeça das pessoas. Escolher e qualificar pessoas é o grande “pulo do gato” para o desenvolvimento e crescimento de qualquer atividade humana.
    As empresas, muitas, as de maior sucesso - não todas -, entenderam isso mais cedo. O poder público começa, ainda sem a necessária convicção, a estabelecer esta prioridade como indispensável para as mudanças que se busca. Aqui, poucas são as experiências corajosas.
    É óbvio que esta escolha não se coaduna bem com o paternalismo e o favorecimento, tão comuns na gestão pública. É preciso escolher e qualificar pessoas para funções para as quais tenham aptidão, sejam vocacionadas, e isto, nem sempre se encontra entre parentes e amigos que se deseja empregar.
    Contudo, há, aqui, uma atenuante pouco observada: se se busca com competência e técnica apuradas, acaba se encontrando, na grande maioria das pessoas, vocação para tarefas diferentes das costumeiras. Já encontrei ótimo profissional que encontrou a felicidade para uma tarefa diferente da outra na qual era péssimo servidor e vivia infeliz. Isto já me ocorreu dezenas de vezes.     Recrutar e motivar quadros deve ser a principal preocupação da liderança. Ninguém faz bem, permanentemente, o que não gosta de fazer. Ninguém é feliz fazendo o que não gosta. A pessoa faz melhor quando faz o que gosta. É preciso que o quadro recrutado e treinado encontre importância no que faz.     O engajamento é fundamental.
    Os êxitos alcançados na transformação social devem ser compartilhados entre todos os participantes. Não há função mais ou menos importante para a consecução da obra. Sem a participação da mais modesta das tarefas, a obra não seria acabada.
    Ao colocar o tijolo na edificação, é fundamental que o pedreiro tenha a compreensão de que está construindo a catedral.