ECONOMIA POLÍTICA
- A Educação e o Desenvolvimento -

INTRODUÇÃO

     Sinto-me bastante confortado quando um Prêmio Nobel de Economia declara que o Brasil deveria resistir às imposições do FMI. A gente vai ficando desencorajado de manifestar a opinião sobre este assunto tão complexo. Só os “economeses” - maioria dos que se intitulam economistas mas, ao invés de cientistas sociais, praticam ciência exata - têm coragem e desembaraço para afirmarem coisas que até Deus duvida.     Agora mesmo, nestes dias, o economista Prêmio Nobel, Dr. Joseph Stiglitz vem nos confortar com suas declarações publicadas na imprensa, discordando, com sua autoridade, da complacência de nossa política econômica. Chega a citar a linha adotada pela Argentina, de certa resistência aos ditames do FMI.

POLITICA E ECONOMIA: Relação causa e efeito

    Sabemos, e o Prêmio Nobel sabe melhor que nós, que há uma grande diferença entre a pequena economia da Argentina e a grande e muito mais complexa economia brasileira. Mas, as diferenças favorecem nossa posição. É mais fácil a uma economia grande e forte endurecer uma negociação, exigindo melhores condições, do que aquela de pouca força.
    Se o devedor, potencialmente viável, com grande capacidade de produzir riquezas, diz ao credor que precisa negociar seu débito, no sentido de uma carência e melhores condições de pagamento, sob pena de comprometer a produção, é claro que o credor não encontrará dificuldades em ceder. Mesmo porque a intransigência pode significar “matar a galinha dos ovos de ouro”. Muito mais forte é este raciocínio óbvio quando se trata de relações entre países e organismos multinacionais, porque aí a maior riqueza é o desenvolvimento das pessoas, justamente os consumidores de todas as riquezas produzidas.
    Não se trata de defender qualquer calote, ou posição radical de não pagar. É usar o direito de impor condições razoáveis para o pagamento. O que não é justo é o pagamento de juros e de serviços da dívida à custa do sacrifício do desenvolvimento social, o que mais deve interessar a todo o mundo. O Brasil é um bom negócio para todos, desde que não reduza e amarre seu desenvolvimento.
    Entendo, modestamente, mas agora animado pelo Prêmio Nobel, que o Governo Lula, por sua equipe econômica, está sendo mole, condescendente, fraco, nas negociações com nossos credores internos e internacionais.
     Um país com 180 milhões de habitantes, sendo quase a metade com pouca ou nenhuma capacidade de consumo; que possui enorme capacidade de produção; que precisa de investimentos urgentes na infra-estrutura e no desenvolvimento social; que tem tudo para se transformar num dos maiores mercados consumidores do mundo, tem que encontrar compreensão, mesmo que seja um pouco forçada, por parte daqueles que são seus interlocutores mundiais. Os credores precisam ter a paciência para esperar que primeiro os recursos sejam aplicados no desenvolvimento interno – o que interessa a todos.
    O arranjo perverso de juros altos – os mais elevados do mundo - com a rigidez no limite de superávit primário, pagamento dos serviços da dívida de acordo com a exigência dos credores, mais controle fanático da inflação pela política monetária, são ingredientes que impedem investimentos fundamentais ao desenvolvimento.
    Quanto mais o país trabalha, quanto mais produz, menos cresce. É uma equação diabólica, inversamente proporcional ao esforço produtivo.     O economista sueco GUNNAR MYRDAL, muito festejado na segunda metade de século passado, Prêmio Nobel de economia, em 1974, com volumosa e substancial obra, especialmente sobre a “Economia nos Países subdesenvolvidos”, inclusive no Brasil, sustentava a teoria da causação circular que, ao invés, de admitir a primazia da política sobre a economia, ou vice-versa - debate que não acaba nunca -, pregava a complementariedade de ações circulares de forma que a decisão competente em uma área produz resultados positivos na outra que, por sua vez, dá causa a novas ações, proporcionando um período virtuoso de desenvolvimento econômico.
    Estamos vivendo um ciclo da economia mundial que os analistas consideram virtuoso. A combinação de indicadores no Brasil é favorável: inflação, câmbio, PIB, bolsa, balança comercial, superávit, crescimento da indústria etc., e decisão política de não interferência na economia, tudo isso contribui pela melhoria permanente do “risco Brasil”. Daí se vê que, em se admitindo o modelo ortodoxo da economia globalizada, razoavelmente contestada por autoridades respeitáveis, os resultados que vêm sendo alcançados e as perspectivas são alvissareiras, pelo menos, a curtos e médios prazos, até que ocorra forte desacerto econômico mundial.
    Nem mesmo o elevadíssimo patamar dos juros, e o grau da dívida pública, indicadores que complicam, podem impedir o desenvolvimento, segundo opiniões muito conceituadas. Agora mesmo, bem recente, o Professor de Harvard, economista Kenneth Rogoff afirmou que nossa economia poderia estar crescendo 6 a 7% a.a.

CONCLUSÃO

    Todavia, o problema do Brasil, de acordo com os mais competentes estudiosos, é menos a falta de crescimento econômico e, muito mais, a falta de desenvolvimento social, e este só se promove com a distribuição da riqueza que, por sua vez, só se alcança com investimentos essencialmente na educação.
    O grande problema do País, dizem conceituados especialistas, é a mais desigual distribuição de renda do mundo. Há bastante riqueza. É preciso distribuí-la melhor. E, isto não se atinge com políticas compensatórias ou assistencialistas, que devem ocorrer. Contudo, o fulcro da questão está na necessidade de investimentos, principal e basicamente na EDUCAÇÃO. Investimento na pessoa humana. Fazer com que aquele que se encontra na marginalidade, excluído pelo despreparo, sem condições de produzir, se integre na produção da riqueza e partilhe de seu resultado. Só assim, com uma opção clara e objetiva pela educação pode-se chegar ao real desenvolvimento. Há exemplos mundiais muito expressivos. Encontra-se sempre o caso do Japão com sua revolução educacional.
    EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO, depois é resto.